Entenda as diferenças entre miopia, hipermetropia e astigmatismo, seus sintomas, causas e os tratamentos mais eficazes para cada problema de visão.
Você já se pegou apertando os olhos para enxergar melhor ao longe ou sentindo dor de cabeça após horas lendo de perto? Esses sintomas podem ter origens diferentes e, muitas vezes, confundidas: miopia, hipermetropia e astigmatismo.
Apesar de serem condições refrativas bastante comuns, cada uma possui características próprias, exige um tipo de correção específico e pode impactar a qualidade de vida de formas distintas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 2 bilhões de pessoas no mundo convivem com algum tipo de erro refrativo não corrigido. No Brasil, a miopia é uma das principais causas de dificuldade visual entre jovens, enquanto a hipermetropia e o astigmatismo afetam pessoas de todas as idades.
Neste artigo, você vai entender de forma clara e acessível o que diferencia essas três condições, como elas surgem, quais são os sintomas mais comuns e as opções de tratamento disponíveis — desde o uso de óculos até cirurgias refrativas.
Além disso, vamos responder às dúvidas mais frequentes dos pacientes e explicar por que o acompanhamento oftalmológico é essencial para preservar sua saúde ocular e evitar complicações no futuro.
O que são miopia, hipermetropia e astigmatismo?
Miopia, hipermetropia e astigmatismo são chamados de erros de refração, ou seja, problemas que afetam a forma como a luz entra nos olhos e é focada na retina. Quando a imagem não é formada corretamente, a visão fica embaçada — seja de perto, de longe ou em todas as distâncias.
Como funciona a refração da luz no olho saudável?
Em um olho sem erros refrativos, os raios de luz passam pela córnea, pelo cristalino e são projetados com nitidez sobre a retina — uma espécie de “tela” no fundo do olho que transforma a luz em sinais para o cérebro.
Quando há alteração no formato do olho, da córnea ou na força das lentes naturais, essa luz se desfoca antes ou depois da retina. Isso é o que acontece nos casos de miopia, hipermetropia ou astigmatismo.
Miopia: dificuldade para ver de longe
O que é a miopia?
A miopia é um erro refrativo em que a imagem se forma antes da retina, fazendo com que a pessoa enxergue bem de perto, mas tenha visão embaçada para objetos distantes.
Isso geralmente ocorre porque o globo ocular é mais comprido do que o normal ou a córnea é mais curva.
A miopia tem forte componente genético. Filhos de pais míopes têm maior chance de desenvolver a condição, especialmente se ambos os pais são afetados.
No entanto, fatores ambientais também influenciam bastante: pouca exposição à luz natural e uso excessivo de telas ou leitura de perto por longos períodos podem acelerar o aparecimento ou a progressão da miopia, principalmente na infância.
Sintomas mais comuns da miopia:
- Dificuldade para enxergar placas, letreiros ou o quadro na escola.
- Apertar os olhos para tentar ver melhor de longe.
- Dor de cabeça e cansaço visual ao dirigir ou assistir TV.
- Piora da visão ao anoitecer.
Quem pode ter miopia?
A miopia pode surgir na infância ou adolescência e tende a se estabilizar por volta dos 20 anos. Fatores genéticos têm forte influência e a miopia hereditária é bem estabelecida na literatura médica.
Filhos de pais míopes têm risco significativamente maior de desenvolver a condição, especialmente se ambos os pais forem afetados.
Diversos genes já foram associados ao desenvolvimento da miopia, como PAX6, GJD2, PRSS56 e ZFHX1B. Esses genes atuam no crescimento axial do olho, no remodelamento da esclera e na regulação da sinalização visual.
A herança da miopia é multifatorial, ou seja, depende da interação entre predisposição genética e fatores ambientais.
Além da genética, há fortes evidências de que o estilo de vida moderno tem contribuído para o aumento global da miopia, especialmente entre crianças. Os principais fatores de risco incluem:
– Uso excessivo de telas e leitura de perto por longos períodos
– Pouca exposição à luz natural e atividades ao ar livre
– Ambientes com pouca luminosidade durante atividades visuais de perto
Estudos mostram que crianças que passam mais tempo ao ar livre — mesmo sem reduzir o tempo de tela — têm menor risco de desenvolver miopia ou de apresentar progressão rápida.
Tratamentos para miopia:
- Óculos com lentes negativas (divergentes)
- Lentes de contato
- Cirurgia refrativa (LASIK, PRK, SMILE)
- Controle de progressão com colírios específicos (como atropina) em crianças
Hipermetropia: dificuldade para ver de perto
O que é a hipermetropia?
Na hipermetropia, a imagem é focada atrás da retina, o que causa dificuldade para enxergar de perto. Em graus mais elevados, a visão para longe também pode ser afetada.
Isso costuma acontecer quando o globo ocular é mais curto ou a córnea tem pouca curvatura.
A hipermetropia também pode ser hereditária, mas sua relação genética é menos evidente do que na miopia. Muitas crianças nascem com certo grau de hipermetropia, que tende a diminuir com o crescimento do globo ocular.
Quando persiste ou é mais acentuada, é comum encontrar histórico familiar positivo, especialmente se for necessário o uso precoce de óculos.
Sintomas mais comuns da hipermetropia:
- Visão borrada ao ler, costurar ou usar o celular.
- Dor de cabeça no final do dia.
- Cansaço ocular, principalmente em tarefas de leitura.
- Evitar atividades que exigem foco de perto.
Quem pode ter hipermetropia?
A hipermetropia pode ser hereditária e, em muitos casos, está presente desde o nascimento. Em crianças, é comum encontrarmos a chamada hipermetropia fisiológica, que ocorre naturalmente devido ao globo ocular ainda estar em fase de crescimento.
À medida que a criança cresce, essa condição tende a regredir espontaneamente — o que é considerado parte do desenvolvimento visual normal.
Diversos estudos mostram que a hipermetropia tem forte componente genético. Quando um ou ambos os pais têm o grau mais elevado de hipermetropia, há maior probabilidade de os filhos também apresentarem a condição.
Entre os genes associados à hipermetropia estão PRSS56, MYRF e MFRP, que estão relacionados ao crescimento do globo ocular e ao desenvolvimento da refração. Alterações nesses genes podem influenciar o comprimento axial do olho, resultando em um foco da imagem atrás da retina — característica da hipermetropia.
A herança é multifatorial, ou seja, envolve a interação de fatores genéticos e ambientais, como o tempo de exposição a atividades ao ar livre e o uso excessivo de dispositivos eletrônicos em idade precoce.
Tratamentos para hipermetropia:
- Óculos com lentes positivas (convergentes)
- Lentes de contato
- Cirurgia refrativa (a depender do grau e da curvatura da córnea)
Astigmatismo: visão distorcida em todas as distâncias
O que é o astigmatismo?
O astigmatismo ocorre quando a córnea tem formato irregular, parecido com uma bola de futebol americano, em vez de redondo. Isso faz com que a luz seja focada em mais de um ponto da retina, provocando visão distorcida ou embaçada em todas as distâncias.
Ele pode existir isoladamente ou em combinação com miopia ou hipermetropia.
O astigmatismo pode ter origem genética, principalmente quando surge ainda na infância. O formato irregular da córnea, responsável pelo astigmatismo, pode ser herdado dos pais.
No entanto, ele também pode aparecer ao longo da vida devido a traumas, cirurgias ou doenças como ceratocone. Quando congênito, tende a se manter estável ao longo dos anos.
Sintomas mais comuns do astigmatismo:
- Visão “duplicada” ou distorcida, mesmo com objetos próximos.
- Dificuldade para enxergar letras ou detalhes pequenos.
- Dor de cabeça frequente.
- Sensação de vista cansada.
Quem pode ter astigmatismo?
O astigmatismo pode ser congênito (presente desde o nascimento), geralmente por influência genética, ou adquirido ao longo da vida, como consequência de doenças oculares — especialmente o ceratocone —, além de traumas ou cirurgias que afetam a curvatura da córnea.
Estudos indicam que há um componente hereditário importante no astigmatismo. Diversos genes têm sido associados a alterações na morfologia da córnea e na estrutura do globo ocular, como os genes PDGFRA, GJD2, ZC3H11B, entre outros.
A presença de histórico familiar aumenta significativamente a chance de a condição se manifestar, especialmente nos casos de astigmatismo moderado a alto. Embora a herança não seja simples (não segue um padrão mendeliano clássico), ela aponta para uma predisposição genética multifatorial.
Tratamentos para astigmatismo:
- Óculos com lentes cilíndricas
- Lentes de contato tóricas
- Cirurgia refrativa personalizada
Diferenças entre miopia, hipermetropia e astigmatismo
Característica | Miopia | Hipermetropia | Astigmatismo |
---|---|---|---|
Visão de longe | Embaçada | Boa (se leve) | Distorcida |
Visão de perto | Boa | Embaçada | Distorcida |
Local de foco da luz | Antes da retina | Atrás da retina | Em múltiplos pontos |
Sintomas comuns | Aperta os olhos | Cansaço visual ao ler | Visão borrada, vista cansada |
Correção | Óculos, lentes, cirurgia | Óculos, lentes, cirurgia | Óculos, lentes cilíndricas, cirurgia |
Conclusão
Miopia, hipermetropia e astigmatismo são condições comuns que afetam a qualidade da visão e o bem-estar no dia a dia. Saber identificar os sintomas, entender como cada problema funciona e buscar o tratamento adequado são passos essenciais para manter a saúde ocular em dia.
É importante lembrar que nem sempre os sinais são óbvios — por isso, consultas regulares com o oftalmologista são fundamentais, mesmo sem queixas visuais aparentes. O diagnóstico precoce permite correções eficazes e evita a progressão dos graus refrativos.
Na COB Oftalmologia, oferecemos acompanhamento completo com tecnologia de ponta para avaliação visual, incluindo exames como refração, topografia corneana e estudo da espessura da córnea, além de orientação personalizada para óculos, lentes ou cirurgia refrativa.
Agende sua consulta agora mesmo e cuide da sua visão com quem entende do assunto. E se este conteúdo foi útil para você, compartilhe com amigos e familiares — alguém próximo pode estar enfrentando os mesmos sintomas sem saber.